Oferecer líquidos à criança em mamadeira não é aconselhável. Até os 6 meses, a proibição é ainda mais rígida. Isso porque o bebê, ao se acostumar com ela, pode se confundir na hora de pegar o peito para mamar, pois os movimentos necessários à sucção são diferentes. O resultado pode ser o chamado desmame precoce – se não conseguir sugar com eficiência o leite materno, a criança desiste. Ou então a produção de leite da mãe diminui devido à queda na demanda.
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sábado, 7 de maio de 2011
Evite a mamadeira
Oferecer líquidos à criança em mamadeira não é aconselhável. Até os 6 meses, a proibição é ainda mais rígida. Isso porque o bebê, ao se acostumar com ela, pode se confundir na hora de pegar o peito para mamar, pois os movimentos necessários à sucção são diferentes. O resultado pode ser o chamado desmame precoce – se não conseguir sugar com eficiência o leite materno, a criança desiste. Ou então a produção de leite da mãe diminui devido à queda na demanda.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Sinais de cólica
Quando a criança está sentindo o desconforto provocado pela cólica ela normalmente se contrai, como se estivesse se contorcendo, e costuma flexionar a perna. É possível ajudar o pequeno a se livrar desse incômodo (ou, ao menos, diminuir o sofrimento). Procure fazer massagem na barriga, sempre de cima para baixo ou no sentido anti-horário, que é o mesmo do caminho intestinal. Aquecer o local também ajuda.
Mãe, pai: as cólicas do bebê são algo normal
Está aí um dos problemas mais comuns das crianças. As cólicas são muito freqüentes especialmente nos três primeiros meses, quando o sistema digestivo ainda não está bem amadurecido. Na verdade, como todo o restante do corpo, órgãos como o estômago e o intestino ainda estão aprendendo a funcionar. Os sintomas são fáceis de perceber e não há motivo para os pais se desesperarem. “Nesse período inicial, é bom lembrar, a cólica é considerada algo normal. Algumas crianças têm mais e outras menos”, afirma a nutricionista Tessa Guimarães, do Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre.
Atenção ao ferro
Com a introdução de novos alimentos na dieta infantil, a absorção do ferro do leite materno é reduzida drasticamente. A sugestão dos nutricionistas é compensar a perda com a ingestão de outras fontes do mineral, como é o caso das carnes vermelhas e das vísceras (fígado, rim, coração e moela de frango). O ferro, vale lembrar, é fundamental para o crescimento e ajuda a evitar males como a anemia.
Higiene e prazo de validade
Ao realizar a retirada do leite, a mulher deve usar máscara e touca para evitar a contaminação do alimento. Ele deve ser colocado em um recipiente esterilizado (fervido). É preciso também ficar de olho nos prazos de validade. Na geladeira, o leite não deve ser mantido por mais de 12 horas. Se ele for congelado, dura mais: cerca de 15 dias. A armazenagem é recomendada especialmente para as mães que voltarão a trabalhar ao fim da licença-maternidade.
Leite de vaca, não
Nunca substitua o leite materno pelo leite de vaca antes do primeiro ano do bebê. Para começar, ele nem de perto tem as mesmas – e benéficas – características nutricionais do leite da mãe. “Além disso, há muita chance de a criança desenvolver alergia ao alimento”, avisa a nutricionista Daniela Beleza Ribeiro, da Santa Casa de Porto Alegre. Se não for possível amamentar no peito, tente então utilizar alguma das fórmulas lácteas disponíveis no mercado. Elas são mais parecidas com o leite materno do que com o de vaca.
A posição da mamada
Para que o leite saia adequadamente, outro cuidado importante é garantir que a mãe esteja bem acomodada, na posição mais confortável que encontrar. Isso porque a tensão muscular da mulher é um fator que tende a atrapalhar. "Se a mãe está muito tensa, o leite pode demorar a descer", ensina a nutricionista Tessa Guimarães, do Hospital da Criança Santo Antônio, em Porto Alegre. E mais: a posição recomendada é colocar o bebê com a barriga encostada na barriga da mãe, o que torna a mamada mais agradável para ele.
Mamar até o fim
Se o bebê mamar num seio, tem que mamar até o fim, dizem os nutricionistas. Isso porque o tipo de leite é diferente no começo e no fim da mamada. Os primeiros “goles” oferecem ao pequeno uma grande quantidade de água, ideal para a hidratação. “E é só no fim da mamada que aparecem, com mais intensidade, os nutrientes e a gordura”, afirma a nutricionista Raquel Dias, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Sim, a gordura é um dos principais nutrientes do leite materno, além de ser fundamental para o crescimento e a maturação neurológica. Além do mais, é ela que vai dar a sensação de saciedade à criança.
O colostro
Nos primeiros dias, geralmente durante a primeira semana, o leite sai aos pouquinhos e apresenta um aspecto pegajoso e uma coloração amarelada. Esse é o chamado colostro. “A diferença é que ele tem uma maior concentração de imunoglobulinas”, afirma a nutricionista Daniela Beleza Ribeiro, da Santa Casa de Porto Alegre. As imunoglobulinas são fatores de proteção vitais para o organismo do recém-nascido, que precisa estar preparado para se defender de uma grande quantidade de microorganismos presentes à sua volta.
Diversidade na papinha
Na preparação das papinhas salgadas, é importante levar em conta os diferentes grupos alimentares e os nutrientes que podem oferecer. Procure sempre incluir na preparação uma carne (inclusive miúdos), um carboidrato (arroz, batata, aveia ou massas, por exemplo) e um ou dois vegetais (como cenoura, chuchu e abóbora). Recomenda-se ainda não utilizar a gordura no preparo para evitar a saturação do óleo, mas regar o prato da criança com azeite ou outro óleo vegetal, como o de milho. Lembre: gordura faz bem para os pequenos.
As papinhas salgadas
Depois de um ou dois meses com a papinha doce, é hora de introduzir o sal na alimentação do bebê – mas com cuidado. As papinhas salgadas devem receber apenas uma pitada do tempero ao fim do preparo. Uma dica: se o alimento está “bom de sal” para o paladar de um adulto, certamente estará salgado demais para uma criança. Também devem ser incluídos na receita os diferentes grupos de alimento, como vegetais, carboidratos e carne – dessa maneira, a criança receberá os principais nutrientes de que precisa para se desenvolver. Assim como as papinhas doces, as salgadas não podem ser liquidificadas, mas apenas amassadas. E, no caso das carnes, bem desfiadas. Elas podem ser inicialmente oferecidas uma vez ao dia, como uma espécie de almoço.
Como prevenir a urticária
Trata-se de um processo alérgico que pode ocorrer em indivíduos de qualquer idade, mas é bastante comum na infância, quando os pais e as próprias crianças ainda não sabem quais são os alimentos que seu organismo rejeita. Basta ingeri-los e pronto: surgem manchas avermelhadas por todo o corpo, além daquela coceira insuportável. Na pior das hipóteses, o problema pode evoluir para uma obstrução respiratória. Aí, o único jeito é correr para o hospital para que o quadro seja revertido o mais rápido possível. Por isso, o ideal é prevenir. “Ofereça sempre produtos frescos e naturais a seu filho, como legumes, frutas e verduras. Evite o consumo excessivo de chocolate, embutidos e outros produtos industrializados. Eles estão entre os principais agentes que deflagram a urticária”, alerta a pediatra Andréa Makssoudian, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo.
Cardapio aos seis meses do bebe
Aos 6 meses, é hora de apresentar ao pequeno os primeiros alimentos sólidos. Pedimos ajuda a um especialista para explicar, tintim por tintim, como deve ser feita essa transição

Você leu tudo o que encontrou por aí sobre bebês, ouviu os conselhos das amigas e os palpites dos familiares - todo mundo guarda uma dica especial para presentear as mães de primeira viagem. No entanto, em vez de ajudar, tanta informação acabou gerando ainda mais dúvidas. A alimentação da criança, por exemplo, é uma delas. Sabe-se que por volta dos 6 meses é chegada a hora de o pequeno provar os primeiros alimentos sólidos - sem deixar de lado as mamadas, claro. Mas a verdade é que ninguém explica direito como fazer, por onde começar e o que evitar.
Pedimos uma mãozinha ao pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopez, da Universidade Federal de São Paulo, para detalhar o que deve ser feito na hora de oferecer ao filho a alimentação complementar ao aleitamento. Confira abaixo o passo-a-passo:
1. Comece pelas frutas
A primeira novidade no menu do pequeno são os sucos naturais de frutas. Dê preferência às cítricas, como laranja, limão e acerola, que são ricas em vitamina C. Fábio Ancona Lopez dá a dica: "A laranja-lima costuma ter mais aceitação". Mas vale também misturar frutas e bater o suco com cenoura ou tomate, por exemplo. Segundo o especialista, os líquidos devem ser oferecidos entre as mamadas da manhã. Se o bebê mama às 8h e às 11h, o suco entra lá pelas 9h. A bebida pode ser servida em uma colher, um copinho ou, em último caso, uma mamadeira. A quantidade é bem pequena - cerca de 20 ou 30 mililitros - e varia de pequeno para pequeno.
Atenção: não se preocupe se o bebê fizer cara feia ou recusar o líquido. Muitas vezes, a criança só vai aceitar o novo alimento depois da décima tentativa de apresentação. Assim, se ela não beber o suco hoje, tente novamente no dia seguinte.
2. A vez da papinha doce
Cerca de 10 a 15 dias depois de incluir o suco na vida do seu filho, já é hora de acrescentar um lanche no cardápio dele, antes da mamada da tarde. E aí, não tem segredo. Banana amassada, maçã raspada, mamão... "O ideal é apresentar um alimento de cada vez e, só depois, misturá-los", orienta o nutrólogo. Dessa forma, ele aprende a diferenciar os sabores.
Aviso: procure respeitar a vontade e o apetite do pequeno. Não insista mais de três vezes se ele virar o rosto e deixe que ele interaja com os alimentos. Lambuzar a roupa e tudo o que estiver em volta faz parte desse período de iniciação à vida de gourmet. "Comida não é remédio. Não tem dose nem hora exatas", lembra Fábio Ancona Lopez.
3. Meu primeiro almoço
Um mês de papinhas doces e a criança está apta a degustar sabores salgados. Aqui vai uma receita básica e nutritiva de almoço, que pode entrar na rotina do bebê por volta do meio-dia:
- Refogue 50 ou 100 gramas de carne, frango ou fígado em óleo vegetal.
- Coloque temperos leves, como cebola, cebolinha, salsinha e uma pitada de sal.
- Acrescente água e dois ou três tipos de vegetais. O ideal é misturar uma folha, uma raiz e um legume. Exemplo: agrião, mandioquinha e cenoura.
- Cozinhe até ficar quase seco.
- Amasse com o garfo e ofereça à criança. Não bata no liquidificador, para que os alimentos não percam as fibras. Se os pedaços de carne ficarem muito grandes, você pode batê-los sozinhos e depois colocar de volta no prato.
- Dê uma fruta como sobremesa
Lembrete: logo após o almoço, evite oferecer leite. Nessa hora, ele prejudica a absorção do ferro de alimentos como a carne.
4. Hora do jantar
Espere entre duas e quatro semanas para preparar o primeiro jantar do bebê. Ele será praticamente igual ao almoço, mas agora a criança pode também comer grãos como arroz, feijão e lentilha.
Ao final de todo esse percurso, seu filho deverá mamar três vezes ao dia (de manhã, à tarde e à noite), além de fazer as refeições elencadas acima. "Se a criança toma fórmulas especiais em vez do leite materno, o esquema pode ser antecipado. Não é preciso esperar até o 6º mês", afirma Fábio Ancona Lopez.
Economize tempo: cozinhe cerca de quatro porções de uma só vez. É só congelar e você terá comida para a semana inteira. Para armazenar, não se esqueça de ferver o recipiente - inclusive a tampa e a colher que será usada. Coloque alimento até a boca do pote, para que não entre ar. Use uma bacia de gelo para resfriar e depois congele.
Você leu tudo o que encontrou por aí sobre bebês, ouviu os conselhos das amigas e os palpites dos familiares - todo mundo guarda uma dica especial para presentear as mães de primeira viagem. No entanto, em vez de ajudar, tanta informação acabou gerando ainda mais dúvidas. A alimentação da criança, por exemplo, é uma delas. Sabe-se que por volta dos 6 meses é chegada a hora de o pequeno provar os primeiros alimentos sólidos - sem deixar de lado as mamadas, claro. Mas a verdade é que ninguém explica direito como fazer, por onde começar e o que evitar.
Pedimos uma mãozinha ao pediatra e nutrólogo Fábio Ancona Lopez, da Universidade Federal de São Paulo, para detalhar o que deve ser feito na hora de oferecer ao filho a alimentação complementar ao aleitamento. Confira abaixo o passo-a-passo:
1. Comece pelas frutas
A primeira novidade no menu do pequeno são os sucos naturais de frutas. Dê preferência às cítricas, como laranja, limão e acerola, que são ricas em vitamina C. Fábio Ancona Lopez dá a dica: "A laranja-lima costuma ter mais aceitação". Mas vale também misturar frutas e bater o suco com cenoura ou tomate, por exemplo. Segundo o especialista, os líquidos devem ser oferecidos entre as mamadas da manhã. Se o bebê mama às 8h e às 11h, o suco entra lá pelas 9h. A bebida pode ser servida em uma colher, um copinho ou, em último caso, uma mamadeira. A quantidade é bem pequena - cerca de 20 ou 30 mililitros - e varia de pequeno para pequeno.
Atenção: não se preocupe se o bebê fizer cara feia ou recusar o líquido. Muitas vezes, a criança só vai aceitar o novo alimento depois da décima tentativa de apresentação. Assim, se ela não beber o suco hoje, tente novamente no dia seguinte.
2. A vez da papinha doce
Cerca de 10 a 15 dias depois de incluir o suco na vida do seu filho, já é hora de acrescentar um lanche no cardápio dele, antes da mamada da tarde. E aí, não tem segredo. Banana amassada, maçã raspada, mamão... "O ideal é apresentar um alimento de cada vez e, só depois, misturá-los", orienta o nutrólogo. Dessa forma, ele aprende a diferenciar os sabores.
Aviso: procure respeitar a vontade e o apetite do pequeno. Não insista mais de três vezes se ele virar o rosto e deixe que ele interaja com os alimentos. Lambuzar a roupa e tudo o que estiver em volta faz parte desse período de iniciação à vida de gourmet. "Comida não é remédio. Não tem dose nem hora exatas", lembra Fábio Ancona Lopez.
3. Meu primeiro almoço
Um mês de papinhas doces e a criança está apta a degustar sabores salgados. Aqui vai uma receita básica e nutritiva de almoço, que pode entrar na rotina do bebê por volta do meio-dia:
- Refogue 50 ou 100 gramas de carne, frango ou fígado em óleo vegetal.
- Coloque temperos leves, como cebola, cebolinha, salsinha e uma pitada de sal.
- Acrescente água e dois ou três tipos de vegetais. O ideal é misturar uma folha, uma raiz e um legume. Exemplo: agrião, mandioquinha e cenoura.
- Cozinhe até ficar quase seco.
- Amasse com o garfo e ofereça à criança. Não bata no liquidificador, para que os alimentos não percam as fibras. Se os pedaços de carne ficarem muito grandes, você pode batê-los sozinhos e depois colocar de volta no prato.
- Dê uma fruta como sobremesa
Lembrete: logo após o almoço, evite oferecer leite. Nessa hora, ele prejudica a absorção do ferro de alimentos como a carne.
4. Hora do jantar
Espere entre duas e quatro semanas para preparar o primeiro jantar do bebê. Ele será praticamente igual ao almoço, mas agora a criança pode também comer grãos como arroz, feijão e lentilha.
Ao final de todo esse percurso, seu filho deverá mamar três vezes ao dia (de manhã, à tarde e à noite), além de fazer as refeições elencadas acima. "Se a criança toma fórmulas especiais em vez do leite materno, o esquema pode ser antecipado. Não é preciso esperar até o 6º mês", afirma Fábio Ancona Lopez.
Economize tempo: cozinhe cerca de quatro porções de uma só vez. É só congelar e você terá comida para a semana inteira. Para armazenar, não se esqueça de ferver o recipiente - inclusive a tampa e a colher que será usada. Coloque alimento até a boca do pote, para que não entre ar. Use uma bacia de gelo para resfriar e depois congele.
Amamentar de três em três horas ou sempre que o bebê chora?
As vantagens
A mudança de opinião dos pediatras se baseou nas vantagens que a liberdade traz. “Geralmente a criança que mama quando quer, perde menos peso depois do nascimento e estimula mais a lactação da mãe”, diz a pediatra Valdenise. A mamada livre também previne a dor e o endurecimento da mama pelo leite congestionado. E colabora para conter a ansiedade do bebê que prejudica todo o processo. “Quando a criança vai com muita fome e vontade é comum que ela machuque o seio da mãe”, completa Valdenise.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o leite materno deve ser oferecido até os seis meses como única fonte alimentar. Depois, ele deve ser mantido em paralelo com papinhas e outras alternativas até os dois anos. No Brasil, os números indicam que esta recomendação está longe de ser seguida. “Em média, as mulheres conseguem amamentar apenas até os dois meses”, relata Valdenise.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Alergia ao leite de vaca: prevenção e tratamento
Essa doença pode atrapalhar o desenvolvimento dos pequenos. Veja o que fazer para garantir que eles cresçam saudáveis.
Não há como falar em prevenção de doenças nos bebês sem citar o leite materno. Além dos nutrientes essenciais para o desenvolvimento dos pequenos, ele é rico em substâncias que fortalecem o sistema imunológico, como anticorpos e prebióticos – um tipo de carboidrato que estimula o crescimento de bactérias benéficas na flora intestinal. Em outras palavras, o alimento fornece tudo o que a criança precisa para crescer saudável e ainda a protege de futuras infecções e alergias.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a garotada deve receber exclusivamente o leite materno até os 6 meses de vida. “Se a mãe conseguir estender esse período, melhor ainda”, orienta a nutricionista paulistana Claudia Cianciulli. Na verdade, quando o assunto é alergia alimentar, somente ele funciona como um preventivo. “Não há a comprovação de que eliminar o leite de vaca da dieta da mãe ou da criança seja eficiente para evitar a doença”, diz a especialista.
Os médicos recomendam cortá-lo da alimentação apenas quando se detecta que a criança tem mesmo alergia à proteína da bebida. Aí, não só o leite de vaca, mas todos os seus derivados devem sair do cardápio – dessa lista, fazem parte as fórmulas infantis à base de sua proteína e produtos que contêm substâncias como caseína, caseinato e soro de leite. “Em casos de alergia muito forte, algumas crianças reagem logo ao sentir o cheiro do leite”, diz Wilson Rocha Filho, coordenador do Núcleo Allos, um centro de referência no tratamento de alergia alimentar e anafilaxia de Belo Horizonte.
A principal maneira de driblar a chateação sem comprometer o desenvolvimento dos pequenos é recorrer às fórmulas infantis especiais. Existem três tipos. As extensamente hidrolisadas passam por um processo em que a proteína é fragmentada para diminuir a chance de reação alérgica. Aquelas à base de soja são indicadas somente a partir do segundo semestre de vida e nos casos em que há sintomas respiratórios e cutâneos. “Existem alergias intermediadas por células e que provocam sintomas gastrintestinais”, explica Claudia Cianciulli. “Quando isso acontece, a soja não é recomendada para substituir o leite de vaca porque sua proteína também pode causar alergia”. Por fim, as fórmulas de aminoácidos livres são as únicas que realmente podem ser chamadas de não-alergênicas. Isso porque elas contêm frações protéicas mínimas, o que praticamente anula o risco de a doença atacar. Vale dizer que uma lata de 400 g dessa última alternativa pode custar 400 reais.
Desde o ano passado, quem mora no estado de São Paulo tem acesso gratuito ao tratamento desse tipo de alergia. Para obter as fórmulas especiais, a criança deve passar por uma avaliação médica. Além disso, os pais precisam levar uma série de documentos ao Ambulatório Regional de Especialidades Maria Zélia, que fica na Universidade Federal de São Paulo, na capital paulista.
Por fim, um aviso importante: os níveis de alergia e as reações do organismo variam de criança para criança. Por isso, não é aconselhável que os pais modifiquem a dieta de seus filhos sem nenhum tipo de orientação. “Substituir o leite de vaca pelo de cabra, por exemplo, não ajuda em nada. As proteínas são muito parecidas”, avisa Roseli Sarni, presidente do departamento de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. É o pediatra, portanto, que deve indicar o tratamento mais adequado.
Reações ao leite de vaca
Não confunda alergia ao leite de vaca com intolerância à lactose. Apesar de serem deflagrados pelo mesmo alimento e apresentarem sintomas semelhantes, são dois problemas diferentes.
Intolerância à lactose
É uma deficiência na produção de lactase, a enzima que quebra o açúcar do leite. Os sintomas são gases, dores de barriga, enjôos, vômitos e diarréia. “Em crianças, o mais comum é que a doença apareça na fase pré-escolar, entre 2 e 6 anos”, afirma Roseli Sarni, presidente do departamento de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. As causas variam. Pode ser desde um problema temporário, provocado por uma diarréia forte ou uma desnutrição, até uma questão étnica. “Os asiáticos, por exemplo, costumam produzir uma quantidade menor de lactase”, afirma a nutricionista paulistana Claudia Cianciulli. Quem sofre de intolerância pode consumir quantidades limitadas de alimentos com lactose.
Alergia à proteína do leite de vaca
Ela vem à tona quando a proteína do leite é identificada pelo sistema imune como um intruso a ser combatido. Os sintomas são os mesmos da intolerância à lactose, além de lesões na pele, urticária, coceira, desconforto respiratório e inflamação da mucosa intestinal. Ela é mais freqüente nos primeiros anos de vida, quando o aparelho digestivo dos bebês está preparado para digerir apenas o leite materno. Nesse caso, é preciso excluir totalmente alimentos que tenham a proteína do leite de vaca na sua composição.
Reação tóxica
Muito cuidado com as interpretações. Uma dor de barriga daquelas logo após a ingestão de um copo de leite não é certeza de que a criança possui uma das doenças citadas acima. Principalmente se for um fato isolado. O pediatra e alergista Wilson Rocha Filho, coordenador do Núcleo Allos, de Belo Horizonte, lembra que alimentos contaminados com bactérias podem causar sintomas semelhantes aos da intolerância à lactose e da alergia à proteína do leite de vaca. Certifique-se, então, de que o produto não está vencido e se foi armazenado de forma adequada.
Higiene é fundamental
Retirar o leite ou preparar comida para a criança requer uma atenção em relação à higiene
Preparar comida para uma criança requer uma atenção maior em relação à higiene. Afinal, o bebê ainda não está tão preparado imunologicamente para enfrentar microorganismos inimigos, como as bactérias. É essencial lavar sempre as mãos antes de preparar a comida e manter os alimentos tampados quando estiverem na geladeira. Também é importante ter cautela redobrada ao lavar o pratinho e os demais apetrechos, como as mamadeiras e os talheres.
Ao realizar a retirada do leite, a mulher deve usar máscara e touca para evitar a contaminação do alimento. Ele deve ser colocado em um recipiente esterilizado (fervido). É preciso também ficar de olho nos prazos de validade. Na geladeira, o leite não deve ser mantido por mais de 12 horas. Se ele for congelado, dura mais: cerca de 15 dias. A armazenagem é recomendada especialmente para as mães que voltarão a trabalhar ao fim da licença-maternidade.
Mãe e bebê: o primeiro toque
Nos primeiros minutos de vida ou, no máximo, na primeira hora , o recém-nascido já deve ser colocado no peito da mãe. Quando suga os primeiros goles do leite materno, o chamado colostro, ganha forças para se desenvolver e, aos poucos, vai montando suas defesas contra as doenças. No contato com a mãe, ele também encontra proteção e calor, funções antes desempenhadas pelo ventre. "Estudos recentes mostram que o corpo da mulher ajuda a manter o bebê adequadamente aquecido, deixando-o mais calmo e com freqüências respiratórias mais estáveis", explica o pediatra Marcus Renato de Carvalho, da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação, no Rio de Janeiro.
O útero agradece
A amamentação nos primeiros minutos após o parto também é importante para a recuperação da mãe. Esse ato estimula o útero a voltar mais rapidamente ao tamanho normal, contribuindo para a saída da placenta e para a redução do sangramento pós-parto.
Ocitocina: o hormônio do amor materno
O simples toque da mãozinha ou da cabeça do bebê sobre a mama da mulher, durante a amamentação, estimula a liberação de um hormônio chamado ocitocina, responsável por dar início ao fluxo de leite. Ele é produzido pela glândula pituitária numa região do cérebro chamada hipotálamo – a mesma que regula as emoções. Quando chega às mamas, levado pela corrente sanguínea, estimula a ejeção do leite pelos alveólos internos, pequenas glândulas em que o alimento é produzido. A ocitocina também está por trás da sensação de calma, satisfação e alegria que a mãe experimenta enquanto nutre seu filho. “Esse hormônio faz com que ela se sinta apaixonada pelo bebê, o que fortalece o vínculo afetivo entre os dois e facilita o processo de amamentação”, diz o pediatra Marcus Renato de Carvalho, da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação, no Rio de Janeiro.
Colostro, a "primeira vacina" do bebê
Nos primeiros dias após o parto, os seios produzem um líquido fino – amarelo ou esbranquiçado, semelhante à água-de-coco – chamado colostro. Esse primeiro leite contém água, proteínas, sais minerais e, principalmente, anticorpos conhecidos como imunoglobulinas, que fortalecem o sistema imunológico do bebê, protegendo-o de infecções e viroses. É como se fosse a primeira vacina que a criança recebe.
Por sua consistência viscosa e bastante fluida, muitas mães se assustam e acham que o leite é fraco. “O colostro tem uma alta quantidade de proteínas e fornece ao bebê as defesas necessárias em seus primeiros momentos de vida”, explica a pediatra Dolores Fernandez, diretora do Instituto Perinatal da Bahia, em Salvador.
Para mamar à vontade
O bebê deve sugar o colostro sempre que tiver vontade e na quantidade que desejar. Ele pode passar uma hora mamando, dormir alguns minutos e depois voltar para o peito – é normal. “Quanto mais ele mamar, melhor, porque é a sucção que vai estimular a produção de leite”, explica Dolores. Por ter pouca gordura e ser liberado em volumes pequenos, o colostro é facilmente digerido.
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